{"id":12727,"date":"2023-02-21T09:41:06","date_gmt":"2023-02-21T08:41:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.adeo.com\/?p=12727"},"modified":"2023-02-21T11:17:30","modified_gmt":"2023-02-21T11:17:30","slug":"como-a-pandemia-e-o-confinamento-mudaram-nossa-forma-de-enxergar-as-moradias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adeo.com\/pt-br\/news\/como-a-pandemia-e-o-confinamento-mudaram-nossa-forma-de-enxergar-as-moradias\/","title":{"rendered":"Como a pandemia e o confinamento mudaram nossa forma de enxergar as moradias?"},"content":{"rendered":"<h2><span class=\"keb-headings keb-titre-h4\">Um panorama de contrastes<\/span><\/h2>\n<p>Em abril de 2020, um <a href=\"https:\/\/www.insee.fr\/fr\/statistiques\/4478728\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo do INSEE<\/a> (Instituto nacional de estat\u00edsticas e estudos econ\u00f4micos) apontou condi\u00e7\u00f5es desiguais de confinamento de acordo com o tipo e tamanho da moradia e da quantidade de moradores que a ocupam. Cerca de dois ter\u00e7os dos francesas moram em casas, sendo 95% dotadas de jardim. Um ter\u00e7o restante da popula\u00e7\u00e3o mora em apartamentos, raramente com partes externas. Al\u00e9m disso, 5 milh\u00f5es de pessoas vivem em habita\u00e7\u00f5es com sobrelota\u00e7\u00e3o (essencialmente fam\u00edlias com crian\u00e7as) e 10 milh\u00f5es vivem sozinhas. O estudo <a href=\"https:\/\/www.ined.fr\/fichier\/rte\/General\/ACTUALIT%C3%89S\/Covid19\/COCONEL-note-synthese-vague-11_Ined.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">COCONEL<\/a> (Coronav\u00edrus e Confinamento), organizado pelo Ined (instituto nacional de estudos demogr\u00e1ficos) no mesmo per\u00edodo, proporciona uma vis\u00e3o complementar. Os franceses possuem em m\u00e9dia 48 m\u00b2\/pessoa, ou seja, uma superf\u00edcie que tem aumentado nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Por\u00e9m uma a cada dez fam\u00edlias viveu em um local com sobrelota\u00e7\u00e3o durante o confinamento (ao inv\u00e9s de 8% apenas antes da pandemia) e 11% das pessoas n\u00e3o possu\u00edam nenhum acesso a \u00e1reas externas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><span class=\"keb-headings keb-titre-h4\">Uma mudan\u00e7a de perspectiva<\/span><\/h2>\n<p>Para <a href=\"http:\/\/www.leroymerlinsource.fr\/correspondant\/eleb-monique\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Monique Eleb<\/a>, um dos principais impactos do confinamento com rela\u00e7\u00e3o ao uso das moradias, foi uma forma de conscientiza\u00e7\u00e3o: <em>\u201cNingu\u00e9m nunca tinha ficado tanto tempo em casa, sem poder sair livremente. \u201d<\/em> Essa experi\u00eancia aflorou desejos de bricolagem, de reformas e de reorganiza\u00e7\u00e3o da casa. Esse per\u00edodo tamb\u00e9m suscitou um desejo de fuga do cotidiano em muitas pessoas.<br \/>\nE justamente sobre isso, ela ressalta um de seus credos, \u201co exterior internalizado\u201d: <em>\u201ch\u00e1 quarenta anos eu milito para que os apartamentos tenham uma \u00e1rea externa, onde \u00e9 poss\u00edvel ver um peda\u00e7o de c\u00e9u, observar a mudan\u00e7a das esta\u00e7\u00f5es, colocar as m\u00e3os na terra, ter uma rela\u00e7\u00e3o com a natureza. Durante o confinamento, isso fez multa falta para as pessoas que n\u00e3o tinham uma \u00e1rea externa\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><span class=\"keb-headings keb-titre-h4\">Uma coabita\u00e7\u00e3o for\u00e7ada com efeitos por vezes nocivos<\/span><\/h2>\n<p>O confinamento estabeleceu uma nova experi\u00eancia de vida em um a cada quatro lares, com a presen\u00e7a permanente de dois membros adultos da fam\u00edlia e das crian\u00e7as. <em>\u201cIn\u00fameros conflitos emergiram pois as pessoas incomodavam umas \u00e0s outras, lembra Monique Eleb. Isso me remeteu ao momento da aposentadoria de um dos membros em um casal. De repente, a outra pessoa est\u00e1 ali presente, em tempo integral, a rela\u00e7\u00e3o muda de situa\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo se diversos casais enfrentaram juntos essa situa\u00e7\u00e3o, 12% deles pensaram em se separar ao final do per\u00edodo de confinamento (<a href=\"https:\/\/www.yeswebloom.com\/observatoire-couple\/impact-couples-crise-covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo Ifop de julho de 2021 para YesWeBloom.com<\/a>). Mas o elemento mais marcante \u00e9 o aumento incontest\u00e1vel das viol\u00eancias familiares, agravadas pela imposi\u00e7\u00e3o da conviv\u00eancia de diversas pessoas em um domic\u00edlio ex\u00edguo, que n\u00e3o oferecia nenhuma forma de escapat\u00f3ria para \u00e1reas externas: houve um aumento de 400% nas liga\u00e7\u00f5es recebidas pelo servi\u00e7o de escuta de v\u00edtimas de <a href=\"https:\/\/www.vie-publique.fr\/en-bref\/275691-violences-conjugales-le-confinement-revelateur\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viol\u00eancias conjugais<\/a> entre o dia 9 de mar\u00e7o e 20 de abril, assim como um aumento de 89% de liga\u00e7\u00f5es recebidas pelo 119, o servi\u00e7o de atendimento telef\u00f4nico nacional para a <a href=\"https:\/\/www.vie-publique.fr\/en-bref\/274213-violences-sur-enfants-hausse-des-signalements-pendant-le-confinement\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><span class=\"keb-headings keb-titre-h4\">Quando as atividades externas v\u00e3o para dentro de casa<\/span><\/h2>\n<p>Para as fam\u00edlias com crian\u00e7as, foi um verdadeiro desafio fazer a educa\u00e7\u00e3o domiciliar. Os filhos e filhas de profissionais com cargos executivos geralmente tinham \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o um c\u00f4modo separado para que pudessem estudar. Mas a metade dos casais com cargos inferiores, como funcion\u00e1rios e oper\u00e1rios, precisaram dividir um c\u00f4modo com seus filhos. Monique Eleb ressalta que <em>\u201calgumas fam\u00edlias assumiram facilmente a escolariza\u00e7\u00e3o domiciliar pois seu n\u00edvel cultural e educacional facilitava essa tarefa. Outras se encontraram em situa\u00e7\u00f5es inquietantes e que deixaram marcas\u201d<\/em>. O trabalho em home office tamb\u00e9m foi marcado pelas condi\u00e7\u00f5es de vida no domic\u00edlio. <em>\u201cAntes, quando trabalh\u00e1vamos em casa de vez em quando, pod\u00edamos nos instalar em qualquer lugar, em uma mesa qualquer com apenas alguns ajustes, <\/em>explica Monique Eleb<em>. Mas com a pereniza\u00e7\u00e3o do home office, isso ficou invi\u00e1vel, era necess\u00e1rio se instalar confortavelmente e de prefer\u00eancia em um c\u00f4modo \u00e0 parte. Isso transformou a organiza\u00e7\u00e3o de muitos domic\u00edlios\u201d<\/em>. A pesquisadora lembra que o tamanho dos quartos na Fran\u00e7a representa um obst\u00e1culo a esse tipo de organiza\u00e7\u00e3o:<em> \u201cgeralmente os quartos possuem 9 m\u00b2, o que n\u00e3o \u00e9 suficiente para colocar uma mesa de trabalho\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><span class=\"keb-headings keb-titre-h4\">O que aprendemos com a experi\u00eancia do confinamento?<\/span><\/h2>\n<p>Uma das primeiras constata\u00e7\u00f5es efetuadas diz respeito aos crit\u00e9rios de escolha de um domic\u00edlio. Anteriormente, o principal crit\u00e9rio era o lugar. Hoje, s\u00e3o a luminosidade e a exist\u00eancia de uma \u00e1rea externa. De modo geral, a organiza\u00e7\u00e3o das casas poder\u00e1 evoluir no futuro, tendo em vista o aprendizado que tivemos com o confinamento. Monique Eleb nos d\u00e1 alguns conselhos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Criar novamente um hall de entrada em todas as casas, para ter ent\u00e3o um local intermedi\u00e1rio para guardar os casacos, cal\u00e7ados etc;<\/li>\n<li>Renunciar \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os diurnos\/noturnos que fazem com que esses c\u00f4modos sejam colados uns aos outros;<\/li>\n<li>Criar um c\u00f4modo separado dos outros, pr\u00f3ximo \u00e0 porta para receber pessoas idosas da fam\u00edlia, uma ajuda dom\u00e9stica;<\/li>\n<li>Acabar com a idealiza\u00e7\u00e3o da cozinha aberta em estilo americano, que acrescenta uma carga de trabalho \u00e0s mulheres, sendo estas as que principalmente cuidam da limpeza da casa;<\/li>\n<li>Possuir uma \u00e1rea externa, que representa um c\u00f4modo suplementar.<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<p><strong>Para ir al\u00e9m neste assunto<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; \u201cLa maison des Fran\u00e7ais\u201d (A casa dos franceses) de Monique Eleb e Lionel Engrand. Ed. Mardaga (2020 &#8211; 286 p.)<br \/>\n&#8211; \u201cEnsemble et s\u00e9par\u00e9ment, des lieux pour cohabiter\u201d (Juntos e separados, lugares de coabita\u00e7\u00e3o) de Monique Eleb e Sabri Bendim\u00e9rad. Ed. Mardaga (2018 &#8211; 396 p.)<br \/>\n&#8211; \u201cLogement contemporain, entre confort, d\u00e9sir et normes\u201d (Casas contempor\u00e2neas, entre conforto, sonhos e normas) de Monique Eleb e Philippe Simon. Ed. Mardaga (2013 &#8211; 358 p.)<br \/>\n&#8211; um <a href=\"https:\/\/www.leroymerlinsource.fr\/actualite\/actualite-des-correspondants\/le-chez-soi-a-lepreuve-du-confinement\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo<\/a> com cita\u00e7\u00f5es de correspondentes Leroy Merlin Source na imprensa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>* LEROY MERLIN Source, uma rede e diversos recursos<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2005, a <a href=\"https:\/\/www.leroymerlinsource.fr\/actualite\/actualite-des-correspondants\/le-chez-soi-a-lepreuve-du-confinement\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rede de pesquisas sobre moradias da LEROY MERLIN<\/a> na Fran\u00e7a, realiza diversas pesquisas com correspondentes, pesquisadores associados, laborat\u00f3rios de pesquisa de universidades e escolas nacionais superiores de arquitetura. Gra\u00e7as ao know-how e \u00e0 for\u00e7a de sua rede que alia ci\u00eancias humanas e sociais, design e abordagens art\u00edsticas, a LEROY MERLIN Source quer elaborar e divulgar ao grande p\u00fablico, conhecimentos espec\u00edficos e originais e vis\u00f5es in\u00e9ditas sobre as novas formas de ocupa\u00e7\u00e3o dos lares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um panorama de contrastes Em abril de 2020, um estudo do INSEE (Instituto nacional de estat\u00edsticas e estudos econ\u00f4micos) apontou condi\u00e7\u00f5es desiguais de confinamento de acordo com o tipo e tamanho da moradia e da quantidade de moradores que a ocupam. Cerca de dois ter\u00e7os dos francesas moram em casas, sendo 95% dotadas de jardim. 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